100 Degrees of Brazil

100 days project

DAY 44. Julio Benedetti

JULIO Tourism Consultant 

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English: 

Julio Benedetti is a Brazil & Holland-based Tourism Consultant specialized in competitiveness, innovation, creativity and destination marketing. He holds a Bachelor’s degree from UNIVALI (Brazil) and a Master’s degree from NHTV Breda (Netherlands), and has lived and worked in various countries in the last 10 years, including Brazil, India, Italy, USA, Holland, Australia, Indonesia, Singapore, Vietnam and Laos. His last Brazil-based job was at the Brazilian Tourism Board/EMBRATUR.

He is also a tourism academic researcher, freelancer journalist and blogger. For more information, please check: here or here.

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What is your impression about a brand called Brazil?

As a Brazilian citizen, a tourist & also a tourism specialist, I believe that this brand called Brazil is one of the most complex brands I’ve come across – probably because it incorporates or actually just reflects the complexity of Brazil itself as a nation, a society or a destination. I can reflect about this brand from 3 different perspectives:

1)     The brand Brazil as per the Brazilians: we are probably one of the most patriotic but also ethnomasochist societies worldwide. In Brazil you hear quite pretentious sayings such as “God is Brazilian”, “Brazil, a land blessed by God”, “I wouldn’t change Brazil for anywhere else in this world” – even from people who are not religious or who had never had the chance to see the world. At the same time, when things go wrong in our country, we Brazilians are also the first to state things like: “What did you expect? This is Brazil!”, “Only in Brazil these kind of things happen” and so on. This contradictory aspect is what intrigues me the most about Brazil & Brazilians. As a tourism specialist, I believe that only when we are sure about our own identity, we will be able to promote ourselves (our brand) as a nation or a tourism destination in a coherent and effective way. Even if for “own identity”, we opt for contradiction, diversity and incoherence. But the point is: we need to make a decision at last.

2)     The brand Brazil as per foreigners: foreigners seem to love – let’s be clear, mostly while on holidays, not when doing business – everything that we Brazilians enjoy denying about ourselves: our exoticism, our passion for soccer, women and samba. At the same time that we feel repulsion for these stereotypes, those are the first aspects of our society that we export abroad. And not only abroad: just turn on the TV in Brazil or open the newspaper, and I challenge you not to see tropical exotic beaches, women, music or soccer. But having spent 4 years of my life in Asia, what we don’t but we should see is that this global shift we are passing through implies in new visitors, brand-making potential tourists – Asians – who have not “decided” yet about their stereotypes and imagery of Brazil. We should focus on how to construct & shape our image to this “new world”. But we should be proud and true to what we really are, not to what we would like ourselves to be or look like. Let’s embrace instead of deny our characteristics.

3)     The brand Brazil as per its brand potentiality: this is what worries me and for I work the most: the future of this brand called Brazil. As the host country of upcoming hallmark events, such as the FIFA World Cup and the Olympic Games, we must be aware – as Brazilians or foreigners, brand and tourism specialists or not – that our success story is not yet written, thus it’s not certain. We will only succeed if we work (hard) for it. There seems to be a sort of underlying omen that Brazil and its brand will inevitably succeed in the future, regardless of what we do, as if we could just sit, relax and wait for this magical moment to happen. But it’s an illusion and a wrong assumption to take this for granted. Yes, Brazil is the country of the future, but we can’t let it be always about the future, because the future never arrives…

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Português

Julio Benedetti é um consultor de turismo na Holanda/Brasil, especializado em competitividade, inovação, criatividade e marketing de destinos. Turismólogo pela UNIVALI e com Mestrado pela Universidade NHTV (Holanda), já morou e trabalhou em diversos países nos últimos 10 anos, incluindo o Brasil, Índia, Itália, EUA, Holanda, Austrália, Indonésia, Cingapura, Vietnã e Laos. Seu último trabalho no Brasil foi na EMBRATUR – Instituto Brasileiro de Turismo.

Atua também como pesquisador acadêmico independente, jornalista e blogger freelancer. Para mais informações acesse: aqui ou aqui.

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Qual é a sua impressão de uma marca chamada Brasil?

Como um cidadão, um turista e um turismólogo brasileiro, acredito que esta marca chamada Brasil é uma das mais complexas com as quais me deparei até o momento – provavelmente porque incorpora ou apenas reflete a complexidade do próprio Brasil como uma nação, uma sociedade e um destino turístico. Posso pensar sobre esta marca sob 3 perspectivas diferentes:

1)     A marca Brasil de acordo com os brasileiros: somos provavelmente um dos povos mais patrióticos e ao mesmo tempo etnomasoquistas do mundo. No Brasil, ouvimos frases pretensiosas do tipo “Deus é brasileiro”, “O Brasil é abençoado por Deus”, “Não deixo o Brasil por nada deste mundo” – faladas até mesmo por pessoas não religiosas ou que nunca visitaram outro país. Ao mesmo tempo, quando algo dá errado, somos nós, brasileiros, os primeiros a exclamar que “Só no Brasil mesmo para acontecer isto”, “O que você esperava? O Brasil é assim” e assim por diante. Esta natureza contraditória é um dos aspectos que mais me intrigam sobre o Brasil e os brasileiros. Como um especialista do turismo, acredito que somente quando definirmos nossa própria identidade é que seremos capazes de nos promover (a nossa marca) como um país ou um destino turístico de modo coerente e eficaz. Mesmo que optemos por uma identidade baseada e contradição, diversidade e incoerência. A questão é que: precisamos finalmente tomar uma decisão.

 2)     A marca Brasil de acordo com os estrangeiros: os estrangeiros parecem idolatrar – sejamos claros, os turistas em férias, mais do que os empresários – tudo o que nós, brasileiros, adoramos negar sobre nós mesmos: o exotismo, nossa paixão pelo futebol, as mulheres e o samba. Ao mesmo tempo que sentimos repulsão por estes estereótipos, estes são os primeiros aspectos da nossa sociedade que exportamos ao mundo. E não somente ao mundo: ligue a TV ou abra o jornal no Brasil, lanço o desafio de não encontrar praias tropicais exóticas, mulheres, música ou futebol. No entanto, como passei 4 anos da minha vida na Ásia, ressalto que devemos mas ainda não prestamos atenção na nova ordem mundial que está se formando, que implica novos visitantes, turistas potenciais que são os novos criadores da nossa marca – os asiáticos –, que ainda não se “decidiram” sobre nossos estereótipos e a imagem que têm do Brasil. Deveríamos focar em como construir e dar forma à nossa imagem neste “novo mundo”. Mas devemos ter orgulho e ser verdadeiros àquilo que realmente somos, e não ao que gostaríamos de ser ou de parecer. É hora de abraçarmos e não negarmos nossas características.

3)     A marca Brasil de acordo com o sua potencial: isso é o que mais me preocupa e pelo o que mais trabalho: o futuro desta marca chamada Brasil. Como país-sede de grandes eventos internacionais em breve, como a Copa do Mundo Fifa e os Jogos Olímpicos, temos que estar conscientes – como brasileiros ou estrangeiros, especialistas em turismo e marcas, ou não – que a nossa história de sucesso ainda não está escrita, isto é, ainda é incerta. Só poderemos ter sucesso se trabalharmos (muito) para isso. Digo isso pois parece haver uma promessa implícita e irrevogável de que o Brasil e sua marca obterão o sucesso absoluto no futuro, independente de nossas ações, como se pudéssemos nos sentar, relaxare esperar este momento mágico acontecer. Mas é uma ilusão e uma suposição equivocada acreditar cegamente nisto. Sim, o Brasil é o país do futuro, mas não deve ser apenas do futuro, pois o  futuro nunca chega…

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This entry was posted on May 26, 2013 by in Brazilians and tagged , , , , , , , .

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