100 Degrees of Brazil

100 days project

DAY 49. Clotilde Perez

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Communication Sciences Professor from ECA – USP.

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English: 

Clotilde Perez. She is a Professor in Communication Sciences from ECA – USP; she has a post-doctorate in Communication from the University of Murcia, Spain, she is PhD in Communication and Semiotics and she has a Master’s in Business Administration from PUC SP. Semiotician. She is a Professor of ECA USP in the Post – Graduation Program in Communication Sciences and in the course of Advertising. Clotilde is also an Advisor of Fundasp / PUC SP, a Leader of GESC3 – Group of Semiotic Studies in Communication, Culture and Consumption, the Vice President of ABP2 – Brazilian Association of Researchers in Advertising, the Vice-Coordinator of Advertising’s GT of Intercom, General Coordinator of the Ipsos Observatory of Trends, the author of Signos da Marca, Mascotes: Semiótica da Vida Imaginária (Signs of the Brand, Mascots: Semiotics Imaginary Life), she is the co-author of Psicodinâmica das Cores em Comunicação (Psychodynamics of Colors in Communication), Hiperpublicidade 1 and 2 and the Comunicação e Marketing (Communications and Marketing), as well as numerous articles in journals in Brazil and abroad.

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What is your impression about a brand called Brazil?

For me the strongest mark of Brazil, more than diversity, is the miscegenation. When back in time we see that the argument of the Darcy Ribeiro the “new people” is really the basis of everything we are. During the period of the colonization, the Portuguese, who understood that the “land of the overseas” was an expansion path (because of the feeling of small a country and with the back to Europe led to this), opened up to new perspectives and not only to the natural environment, where he faced various forms of animal life and abundance of flora, climate and landscape but also to the other, the Indian and Africans (black people). From this mixture has emerged a different people, new people, mixed, “mestizo”. The opening to the “other” has brought learning and the contact with the difference allowed the development of communication, of the expression of feelings, of cordiality (thesis by Sergio Buarque de Hollanda) and creativity.

Another mark of Brazil is the creativity and this is also the basis of miscegenation. Saying that we are creative is not only an egocentric jargon, but a fact when we enter in the “roots of Brazil”, in the life lived of the Brazilian people.

Miscegenation, associated with deep economic adversities (much inequality from since the hereditary captaincies), gave rise to a feeling of “echar adelante” (as it’s said in Spanish) very unique of Brazilian people. We have the naturalized creativity and in several areas. From the creativity in the development of the technology for deepwater oil exploration, passing by the Embraer jets, but also in the design of the Campana brothers, the cuisine of Alex Atala, in the humorous, playful and sensual advertising that shines in Cannes, the collective Fora-do-Eixo (collective network acting in the area of culture in all Brazil and in some countries of Latin America), in the “Picoleishion” (a specific local popular person)  of Itaparica’s beach in Bahia, in the São Paulo’s taxi drivers that applaud their passengers, of the accordions’ restorer that with no resources and no formal study is able to integrate art and functionality in brilliant creations … Creativity that can be revealed in abundance (as supposedly in Petrobras and Embraer cases), but also the creativity that springs from the scarcity, from the lack, from the difficulty … Creativity that can distance itself from art (in the classic sense), but that approximates to the entrepreneurship, of the “do-know”, of the free trial and the error understanding as part of the learning process …

Brazil, “mestizo” and because of that, creative!

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Português:

Clotilde Perez. Livre-docente em Ciências da Comunicação pela ECA – USP. Pós-doutora em Comunicação pela Universidad de Murcia, Espanha. Doutora em Comunicação e Semiótica e Mestre em Administração pela PUC SP. Semioticista. Professora da ECA USP no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação e no curso de Publicidade. Assessora da Fundasp/PUC SP. Líder do GESC3 – Grupo de Estudos Semióticos em Comunicação, Cultura e Consumo. Vice-Presidente da ABP2 – Associação Brasileira dos Pesquisadores em Publicidade. Vice-coordenadora do GT de Publicidade da Intercom. Coordenadora Geral do Observatório de Tendências Ipsos. Autora de Signos da Marca, Mascotes: Semiótica da Vida Imaginária, co-autora de Psicodinâmica das Cores em Comunicação; Hiperpublicidade 1 e 2 e de Comunicação e Marketing, além de inúmeros artigos em periódicos no Brasil e no exterior.

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Qual é a sua impressão de uma marca chamada Brasil?

Para mim a grande marca do Brasil, mais do que a diversidade, é a mestiçagem. Quando recuamos no tempo notamos que a tese de Darcy Ribeiro do “povo novo” é mesmo o fundamento de tudo que somos. No período da colonização, o português, que entendeu que as “terras do além mar” eram um caminho de expansão (até porque o sentimento de país pequeno e “de costas” para a Europa levaram à isso), abriu-se ao diferente e não apenas ao ambiente natural, onde deparou-se com as mais variadas formas de vida animal e abundância de flora, clima e paisagem, mas também ao outro: o índio e o negro. Dessa mistura fez surgir um povo diferente, um povo novo, misturado, mestiço. A abertura ao “outro” trouxe aprendizagem e o contato com a diferença permitiu o desenvolvimento da comunicação, da manifestação dos sentimentos, da cordialidade (tese de Sergio Buarque de Hollanda) e da criatividade.

Outra marca do Brasil é a criatividade e esta também conta com o fundamento da mestiçagem. Dizer que somos criativos não é apenas um jargão ególatra, mas uma constatação quando adentramos nas “raízes do Brasil”, na vida vivida do povo brasileiro.

A mestiçagem, associada com as profundas adversidades socioeconômicas (boa parte decorrente das desigualdades desde as capitanias hereditárias), fez brotar um sentimento de echar adelante (como se diz em espanhol) muito próprio do brasileiro. Temos a criatividade naturalizada e nas áreas mais diversas. Da criatividade no desenvolvimento da tecnologia para exploração de petróleo em águas profundas, passando pelos jatos da Embraer, mas também no design dos irmãos Campana, na gastronomia do Alex Atala, na Publicidade bem-humorada, lúdica e sensual que brilha em Cannes, no coletivo Fora-do-Eixo, no Picoleishion da praia de Itaparica na Bahia, no taxista de São Paulo que aplaude seus passageiros, do restaurador de sanfonas que sem recursos materiais e qualquer estudo formal é capaz de integrar arte e funcionalidade em criações geniais… Criatividade que pode revelar-se na abundância (como supostamente nos casos da Petrobrás ou da Embraer), mas também a criatividade que brota da escassez, da falta, da dificuldade… Criatividade que pode distanciar-se da arte (no sentido clássico), mas que se aproxima do empreendedorismo, do fazer-saber, da experimentação livre e do entendimento do erro como parte do processo de aprendizagem…
Brasil, mestiço e por isso, criativo!

One comment on “DAY 49. Clotilde Perez

  1. I had the firtune, and honour, of being mentored by Prof.Dr. Clotilde Perez during my Master degree at PUC-SP. Great professor and mentor, outstanding knowledge and powerful insights.

    Prof. Robert Alvarez Fernández- ESPM- BR

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