100 Degrees of Brazil

100 days project

DAY 53. Ronald Kapaz

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Head Designer, co-founder, Strategy Director and Partner of Oz Design.

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English: 

Ronald Kapaz is Head Designer, co-founder, Strategy Director and one of the three Partners of Oz Estratégia+Design, a 34-year-old design company located in São Paulo, Brazil. Oz Design has been nominated for two consecutive years for best Brazilian Design Firm, in a survey held among leading designers of the country, and Design Agency of the Year in 2011 in the Colunistas Award.

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What is your impression about a brand called Brazil?

“Brazil is not for beginners”

Tom Jobim

And so we begin again, the difficult task of trying to define “what makes Brazil to be Brazil”, borrowing the title of a book by Roberto Da Matta, an anthropologist and thinker of the “Brazilianness”, like many others, that serves well as a synthesis of the task Daniela invited us to face.

The nature of the challenge already reveals a face of Brazil: this identity anguish accompanies us as a karma since I can remember. Imagine a Swiss wondering what makes Switzerland to be Switzerland and you will understand the particularity of the question, so ours, so revealing of a young country that still seeks its place in the adult world.

It was in soccer that I got closer of some personal answers to this question. And right with me – I am not very Brazilian in this topic, I do not cheer for any particular team, I came across the face of Brazil in front of the goal…

It was in 2008. I was invited to lead a project of brand repositioning for the sporting goods brand Penalty, a traditional Brazilian brand, aiming its internationalization, I realized that its greatest strength, until then undiscovered and transformed into value, was to be an original sports brand of the country of the soccer, and what it should express singularly, through its products, because unique was its brand and source values. The brand of a nation. It should, therefore, to be internationalized, be an “ambassador” of values ​​and of the Brazil’s identity that gets revealed in the Brazilian way of playing ball, in the soccer-art.

After two years of study, immersion and refinements, the perception and synthesis that responded successfully to the challenge of branding appeared: the “ginga” (body sway), mother of our mischievous way, emerged as the expression of our curvilinear way of being. Curve of the beloved woman of Niemeyer; curve of the arrangements and sensual musicality of Jobim; curve of the tricks, which are part of the Brazilian way, the not so beautiful curves. Curves that Pasolini noticed to be opposed to the straightness of the Saxon football, a football of strategy, tactics and results, different from the football-dance-curve-“ginga” of our Latin way in the shape of game.

Not to dwell too much, I’m going straight to the point: the greater synthesis of all our thinking was consolidated in an important sense: you cannot explain Brazil, you feel it.

We found that all attempts to define Brazil are best expressed in five major dimensions: contrast, coexistence, magic, charm and affection. We also found that the common denominator to all, which was very well designed by the modernist manifest and Oswald de Andrade in the phrase “a alegria é a prova dos nove” (“joy is the litmus test”) was there, in front of the goal, waiting on the mark of the penalty (Penalty, also the brand): joy as an expression of a subversive, irreverent and joyful way of being, that crystallizes as shape in the “ginga”, in the dance in front of the ball, in the the making believe that “goes but will not go”,  the will and will not, that ” It circumvents the unavoidable” as well as David Arrigucci Jr has pointed, whom we hear in its definition: “a ginga é a arte de contornar o incontornável” (“the swing is the art of circumventing the unavoidable”).

Well, that’s how that on the penalty’s line, with the ball stopped, I came across a face of Brazil, happily unavoidable.

Finally, I remember another encounter with the “Brazilianness” that I want to register, as a contribution, quickly. Invited to present and explain the international success of the Campana brothers in the Design area, for an edition of the 100 most influential Brazilians of Epoca magazine, I identified there, in the work of these brothers from Brotas, another one and the same face of Brazil that we always look for:

Fernando and Humberto Campana: the brothers who are the face of Brazil.

campans

To try to understand what has consecrated the Campana brothers internationally as the image of Brazilian design and, interestingly, a successful example of Design in a country where Design is still a subject for Dons Quixotes, I choose to look carefully for a particular work: a polo shirt designed in 2009 for a limited edition, invited by the brand Lacoste, that one with the small alligators.

How did the Campana brothers responded to this invitation? Designing a shirt with pure small alligators, one biting the tail of the other, in a plot that creates a fabric and at the same time eliminates the fabric, transforming a branded product in a product of pure brands.

The result, conceptual and plastic, is the face of Brazil. Surprise, irreverence, intelligence, humor, intensity, contrast, subversion, inventiveness, colorful, imperfection, charm and joy are some of the qualities that overflow this design and condense Brazil into a single point, the “Brazilianness” and the other works of these two brothers from Brotas.

From the watchful eye, the intuitive experimentation, the drawing process by modeling of the real, the of overlapping of elements and displacement of signs, contexts and meanings emerges an irreverent, cheerful, not always comfortable design, but a wind of subversion and charm that may be missing in the world of objects and that comes from Brazil and form the Campana brothers.

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Português:

Ronald Kapaz é Designer-Chefe, co-fundador, Diretor de Estratégia e um dos três sócios da Oz Estratégia+Design, uma empresa de design de 34 anos, localizada em São Paulo, Brasil. A Oz Design foi indicada por dois anos consecutivos como melhor Empresa de Design do Brasil, em pesquisa realizada entre os principais designers do país, e Agência de Design do Ano em 2011 no Prêmio Colunistas.

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Qual é a sua impressão de uma marca chamada Brasil?

“O Brasil não é para principiantes”

Tom Jobim

E começamos assim, mais uma vez, a difícl tarefa de tentar definir “o que faz do Brasil o Brasil”, emprestando o título de um livro de Roberto DaMatta, antropólogo e pensador da Brasilidade, como tantos outros, que serve bem como síntese da tarefa que Daniela nos convidou a enfrentar.

A natureza do desafio já revela uma face do Brasil: essa angústia identitária nos acompanha como um karma desde que me conheço por gente. Imagine um suiço se perguntando o que faz da Suiça a Suiça e você entenderá a particularidade da questão, tão nossa, tão reveladora de um país jovem que ainda procura seu lugar no mundo dos  adultos.

Foi no futebol que mais me aproximei de algumas respostas pessoais a essa questão. E justo eu que não sou muito brasileiro nesse tema, que não torço para nenhum time em particular, fui me deparar com a cara do Brasil na cara do gol…

Foi em 2008. Convidado a conduzir um projeto de reposicionamento de marca para a marca de materiais esportivos Penalty, uma tradicional marca brasileira, visando sua internacionalização, percebi que sua maior força, até então não descoberta e transformada em valor, era de ser uma marca esportiva original do país do futebol, e que o que ela deveria expressar de singular, através de seus produtos, porque único, era sua marca e valores de origem. A marca de uma nação. Ela deveria, portanto, para se internacionalizar, ser uma “embaixadora” de valores e da identidade do Brasil que se revela no jeito brasileiro de jogar bola, no futebol-arte.

Depois de dois anos de estudo, imersão e refinamentos, aflorou a percepção e síntese que respondeu com sucesso ao desafio de branding da marca: a ginga, matriz do nosso jeito maroto, surgia como a expressão da curvilinidade de nosso jeito de ser. Curva da mulher amada de Niemeyer; curva dos arranjos e da musicalidade sensual de Jobim; curva das artimanhas do jeitinho brasileiro, as não tão belas curvas. Curvas que Pasolini percebeu opostas à retilinidade do futebol saxão, um futebol de estratégia, tática e resultado, diferente do futebol-dança-curva-ginga de nosso latinismo em forma de jogo.

Para não me alongar, vou direto ao ponto: a síntese maior de toda nossa reflexão foi consolidada numa percepção importante: o Brasil não se explica, se sente.

Descobrimos que todas as tentativas de definir o Brasil são melhor expressas em 5 grandes dimensões: contraste, coexistência, magia, graça e afeto. Descobrimos também que o denomidor comum a todas, que foi muito bem desentranhado pelo manifesto modernista e por Oswald de Andrade na expressão “a alegria é a prova dos nove” estava ali, na frente do gol, esperando na marca do (da) Penalty: a alegria como expressão de um jeito subversivo, irreverente e alegre de ser, que se cristaliza como forma na ginga, na dança diante da bola, do faz que vai e não vai, que “contorna o incontornável” como bem apontou Davi Arrigucci Jr, a quem ouvimos, em sua definição: “a ginga é a arte de contornar o incontornável.”

Pois bem, foi assim que na marca do Penalty, com a bola parada, me deparei com uma face do Brasil, alegremente incontornável.

Para terminar, me lembro de outro encontro com a brasilidade que quero registrar, a título de contribuição, rapidamente. Convidado a apresentar e explicar o sucesso internacional dos irmãos Campana na área do Design, para uma edição dos 100 mais influentes brasileiros da revista Época, identifiquei ali, na obra desses irmãos de Brotas, uma outra e mesma face do Brasil que tanto procuramos, e que pode ser lida aqui.

campans

 

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This entry was posted on June 4, 2013 by in Brazilians and tagged , , , , , , , .

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