100 Degrees of Brazil

100 days project

DAY 77. Gabriel Patrocínio

GabrielPatrocinio Designer.

__________________ 

English: 

Gabriel Patrocinio graduated from ESDI / UERJ (1982), school where he has been vice-director (2000-2004) and director (2004-2008). In addition to his professional practice as a designer and design & IPR consultant, he has been a member of the Design Advisory Group of the Government of Rio de Janeiro State, and one of the organizers of the Forum Brazil Design. He gave lectures and workshops about Brazilian design in Europe and Asia and organized two international seminars on design policy (BNDES 2004 and Brazil Design Week 2008). Gabriel is part of the advisory group of the Victoria and Albert Museum, London, for the exhibition Brazil Design Now. He recently ended (May 2013) a PhD in design from Cranfield University, UK, on national and regional policies of design, with a CNPq scholarship. He also maintains a blog in Portuguese and English, on the subject.

__________________ 

What is your impression about a brand called Brazil?

When a designer speaks about brand he generally refers to a graphic symbol, a logo, a visual representation, whether it’s a company, a product or a campaign. However, here we are considering something that is much more than a good design work, or a well-formulated marketing strategy. The brand of a country is related to the way it is perceived, and its visual representation is merely a signature that refers to this larger concept.

Some time ago I attended a lecture in Belgium from the Mayor of Antwerp, who spoke about how that city was working on its image. They did it not from a well-designed and well-implemented graphic brand – although that was also part of a second phase of the project. The city’s image was structured from changes of paradigms in services and the integration of citizens, their inclusion in decision-making and participatory processes. Projects of environments and public services began to privilege the interest of the citizen, and not the Government’s or even the public servers’. The citizen should feel not only represented, but respected and accepted by the Government in all its instances. A government centered and oriented to the user – a user actively involved and participating. That’s how was implemented the project of changing the brand of the city.

Personally I have just returned from the experience of living nearly four years out of Brazil. I did my doctorate in public design policies at Cranfield University, in a rural area of England. Also because of my research’s subject, I was always ‘tuned’ in what was happening in Brazil, as the country was going through a phase of acute global economic crisis, and what was the perception of our country among foreigners.

It’s necessary to keep in mind that the perception of what is not known is built in a fanciful way, with no connection to reality, or connected only by the fragile threads that are provided by history, by the press, by the books and movies we read and watch – but always filtered by different interpretations of others who have had the direct experience. Even more interestingly, such narratives are often constructed by those who did not even have a direct experience –Jules Verne wrote “Eight hundred leagues on the Amazon”, an extraordinary book about the Amazon, without ever having been in Brazil. And in times of Facebook and ‘armchair activism’, this last possibility is increasingly present.

But how does the foreigner perceives Brazil? A country of vast natural resources and huge social contrasts. A country of soccer (or at least of a glorious past in international soccer), of Airton Senna (idolized in England), of beautiful women, of the musicality of bossa nova, exuberance and permissiveness of carnival. An exuberant country both in nature and in the way that Brazilians – seen as friendly and pleasant – express themselves.  Political corruption? Yes, once in a while there was some question about that – but who, in what country, feels comfortable talking about political corruption or economic pressures in someone else’s country today? Definitely, at least from my experience in Europe, this is not a topic that is associated with the ‘brand Brazil’. Desired tourist destination, but also avoided due to the high (very high) cost and possible concerns about safety – two serious problems unresolved. I say ‘possible’ because those who are used to traveling know that there may be security problems anywhere in the world – an Englishman once told me, while we were discussing security issues in Rio de Janeiro, that at least we did not have a history of terrorist attacks that bring panic to European and American capitals from time to time. We lose a lot as a tourist destination to other countries with better infrastructure and more attractive prices – the tourism revenue is very low when compared to the existing potential. A curiosity: we have so expensive international tickets because we are the only country in the world with a legislation requiring airlines with flights originating or terminating in Brazil to carry two bags of 32kg instead of the world standard of one bag with 23kg – with this, everybody pays for some carrying much weight, and our tourism suffers from it…

Anyway, we still have a lot to build – and to offer the world.

__________________

Português:

Gabriel Patrocinio graduou-se pela ESDI/UERJ (1982), escola da qual foi vice-diretor (2000-2004) e diretor (2004-2008). Além de sua atuação profissional como designer e consultor de design propriedade industrial, foi membro do Grupo Consultivo de Design do Governo do Estado do Rio de Janeiro, e um dos articuladores do Fórum Brasil Design. Fez palestras e workshops sobre design brasileiro na Europa e Asia, além de ter organizado dois seminários internacionais sobre politicas de design (BNDES 2004 e Brasil Design Week 2008). Faz parte do grupo consultivo do Victoria and Albert Museum, Londres, para a exposição Brazil Design Now. Finalizou recentemente (maio de 2013), doutorado em design pela Universidade de Cranfield, no Reino Unido, sobre políticas nacionais e regionais de design, como bolsista do CNPq. Mantém ainda um blog, em português e inglês, sobre o assunto.

__________________ 

Qual é a sua impressão de uma marca chamada Brasil?

Quando um designer fala de marca está se referindo, em geral, a um símbolo gráfico, um logotipo, uma representação visual, seja esta de uma empresa, um produto, ou uma campanha. Aqui no entanto estamos considerando algo que é muito mais que um bom trabalho de design, ou uma bem formulada estratégia de marketing. A marca de um país está relacionada à forma com que este é percebido, e sua representação visual é meramente uma assinatura que remete à este conceito maior.

Há algum tempo assisti na Bélgica uma palestra do prefeito de Antuérpia, que falava sobre como aquela cidade estava trabalhando sua imagem. Fizeram isto não a partir de uma marca gráfica bem projetada e bem implementada – embora esta também fizesse parte de uma segunda etapa do projeto. A imagem da cidade foi estruturada a partir de mudanças de paradigmas no atendimento e integração do cidadão, da sua inclusão nos processos decisórios e participativos. Projetos de ambientes e serviços públicos passaram a privilegiar o interesse do cidadão, e não do governo ou mesmo dos servidores públicos. O cidadão deveria sentir-se não apenas representado, mas respeitado e acolhido pelo governo em todas as suas instâncias. Um governo centrado e orientado para o usuário – e um usuário ativamente envolvido e participante. Assim se implementou um projeto de mudança da marca da cidade.

Pessoalmente acabo de retornar da experiência de morar quase quatro anos fora do Brasil. Fiz meu doutorado em politicas públicas de design na Universidade de Cranfield, numa área rural da Inglaterra. Até pelo próprio tema da minha pesquisa, estava sempre ‘antenado’ no que se passava no Brasil, em como o país atravessava a fase de aguda crise econômica mundial, e qual era a percepção do nosso país entre estrangeiros.

É preciso ter em mente que a percepção daquilo que não se conhece é construída de forma fantasiosa, sem conexão com a realidade, ou ligada apenas pelos frágeis fios que são fornecidos pela história, pela imprensa, pelos livros e filmes que lemos e assistimos – mas sempre filtrada pelas diferentes interpretações de outros que tiveram a experiência direta. Mais curiosamente ainda, muitas vezes tais narrativas são construídas por quem nem sequer teve uma experiência direta – Julio Verne escreveu A Jangada, um extraordinário livro sobre a Amazônia, sem nunca ter estado no Brasil. E em tempos de Facebook e ‘ativismo de poltrona’, essa última possibilidade é cada vez mais presente.

Mas como o estrangeiro percebe o Brasil? País de enormes recursos naturais e enormes contrastes sociais. País do futebol (ou pelo menos de um passado glorioso no futebol internacional), do Airton Senna (idolatrado na Inglaterra), de mulheres bonitas, da musicalidade da bossa nova e da exuberância e permissividade do carnaval. Exuberante tanto na natureza como na forma dos brasileiros se expressarem, vistos como povo simpático e amistoso. Corrupção política? sim, de vez em quando havia alguma pergunta sobre isso – mas quem, em qual país, se sente inteiramente à vontade para falar de corrupção política ou das pressões econômicas no país dos outros hoje em dia? Definitivamente, ao menos pela minha experiência na Europa, esse não é um tema que esteja associado à ‘marca Brasil’. Destino turístico desejado, mas ainda evitado pelo alto (altíssimo) custo e eventuais preocupações sobre segurança – dois problemas sérios ainda por resolver. Digo eventuais porque aqueles que estão acostumados a viajar sabem que pode haver problemas de segurança em qualquer parte do mundo – um conhecido inglês uma vez me disse, quando eu falava sobre problemas de segurança no Rio de Janeiro, que pelo menos não tínhamos o histórico dos atentados terroristas que apavoram as capitais europeias e americanas de tempos em tempos. Perdemos muito como destino turístico para outros países com melhor infraestrutura e preços mais atraentes – a receita do turismo é baixíssima perto do potencial existente. Uma curiosidade: temos as passagens internacionais encarecidas por sermos o único país no mundo com uma legislação que obriga as companhias aéreas com voos de origem ou destino no Brasil a transportarem duas malas de 32kg, ao invés do padrão mundial de uma mala de 23kg – com isso todos pagam para que alguns transportem muito peso, e nosso turismo sofre com isso…

Enfim, temos ainda muito que construir – e que oferecer ao mundo.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Top 10

%d bloggers like this: