100 Degrees of Brazil

100 days project

DAY 66. Valpirio Gianni Monteiro

HORIZONTAL

Partner and Director of Corporate Communications of GAD’.

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English: 

Designer; studied architecture and social sciences. Valpirio is managing Partner of GAD’ and current Director of Corporate Communications. He received awards in Costa Rica, New York, London and Cannes for design projects, focusing on building and managing large brands. It is a permanent member of Madison Who’s Who International Historical Society, based in New York. He is the director is responsible to the D2B Branding Design Magazine: an editorial structure that places the marks in Design and expanded perspective, conceptual, innovative and relevant.

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What is your impression about a brand called Brazil?

“We, Brazilians, have the key that the world blindly looks for: the Anthropophagy. ” – Oswald de Andrade, May 1928

To try to answer to the complexity of this issue, with all the subtlety and simplicity implied to it, I do a little retrospective. I’ve been working with the construction of symbols, its relative language and insertion in different cultural microenvironments, for three decades. During this period, I tried to develop acuity and visual education, averse to the logical / linear representation that we inherited from our European colonization, always a consequence of the repertoire and the accumulated baggage of each one of us.

We have at our disposal a multitude of concepts and interpretations and we try to be consistent in the diversity.

Figura01We don’t have an inherited culture, we have a created culture. Anthropophagy and syncretism is what unite us.

 

We are unique in the plural.

We are multiple in the monotony.

We are cordial, but not complacent.

We are a landform.

 

I was born in the region of the “pampa” Gaúcho (in South Brazil), straight, linear, with an infinite horizon.

Until my adolescence, I thought the world was flat – meridian and medieval.

I went to the capital to study and I was surprised with the slopes of the big city.

I participated in a Rock band, in student marches and I studied Social Sciences.

With a specialization in Anthropology, I went to work in indigenous villages in the Amazon, Tukano indians, and then in the State of Maranhão, Gavião Indians.

I returned to the South, I studied architecture, I drew books and magazines and started to develop visual identity projects. Then I became a designer.

 

I was Christian, Buddhist and pagan.

I was Muslim, Hebrew and philistine.

I was Arabic and Spanish.

Portuguese, Italian, Indian and German.

Cafuso*, mulato** e mameluco***.

And now I’m Brazilian.

 

*Cafuso: miscegenation between Indians and Africans; **Mulato: miscegenation between Africans and Europeans; *** Mameluco: miscegenation between Indians and Europeans – the colonizers.

 

Despite our continental dimension, the mixture of races, of people living in a society with the same conditions as the most technologically developed ones and, at the same time, of population in primitive state, it makes us believe that we inhabit the contrast. We are also open and we incorporate the most diverse cultural manifestations, which does not represent a threat. On the contrary, this factor is one of our strengths. We have unity, we are a Federal Republic with a central Government and with a single language, the fundamental elements that structure us. We have an immaterial culture extremely rich and diverse. For us, “life is focused on social networking, on the bond, on the connection between people or between them and the environment” (Published in the research developed by Sebrae – Cara Brasileira – a brasilidade nos negócios / Brazilian face: the brazilianity in business, 2002).

All that leads to the encounter and the relationship guides us, by extension, to the Brazilianity.

Figura02We share the exuberance of color, the “ginga” (swing), a natural spirit and a unique aesthetic sense.

We were wise, sailors, warriors and dragons.

We were vagrants, hanged and thieves.

We learn to be blacksmiths, joiners, shoemakers and craftsmen.

Today we are desire and emotion.

 

Aloísio Magalhães, one of the largest designers and managers of the semantics education, once wrote that the culture is like an alluvium. The alluvium is the fertile sediment layer accumulated along the rivers bed, through successive floods and receding waters, what makes the soil to be richly productive, along which the great civilizations developed and flourished.

 

So is the Brazil – so must be the “Brand Brazil”.

An alluvium of mixtures, of overlapping layers, which will give shape and compliance to the successive floods to build the wealth of the repertoire.

In fact, our greatest heritage is our immaterial, oral and visual culture, that must and need to be documented, be it symbolic or metaphorical, real or virtual.

We are ephemeral and volatile.

We are self-confident, but we need self-esteem.

We disregard the technique.

We Are Macunaíma*.

* One of the founding texts of Brazilian modernism – “a hero without a character”

 

We live with agility and we are able to quickly transform us. At the same time we have a slight contempt for the basis of our formation. We make the public to become private and we transform the private in public. We have language, type and identity.

Figura03Diversity of identities and graphic types, used as reference for a Brazilian brand.

This diversity and the cultural fragmentation caused me to build a career in the design field as an alluvium. The various layers and the various segments for which I worked – energy, mobile telephony, steel industry, retail, sports, services and others, sedimented in me a clear concept and an organizing principle of our preliminary issue and focus of this analysis.

We identified territories, mapped symbols and indexes, defined colors with primary and secondary palettes, language, typography and support graphisms. Everything to build brands and define territories. All to relate to our environments. Everything to syncretize.

Figura04

Claro Digital, creative direction, implementation and brand management. (1997-2000). Claro, creative direction, implementation and brand management. (2003-2007). Oi, implementation and brand management. (2001-2002)

A fragmented diversity.

Extract of a contradictory perception.

We represent a rejuvenating spirit.

We are actors of a Brand called BRAZIL.

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Português:

Designer, estudou arquitetura e ciências sociais. Valpirio é sócio-diretor do GAD’ e atualmente Diretor de Comunicação Corporativa. Recebeu prêmios em Costa Rica, Nova York, Londres e Cannes para projetos de design, com foco na construção e gestão de grandes marcas. É membro permanente do International WHO’s WHO Madison Historical Society, com sede em Nova Iorque, Estados Unidos.
É membro do Conselho Consultivo do MAC RS, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul.

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Qual é a sua impressão de uma marca chamada Brasil?

“Nós, brasileiros, temos a chave que o mundo cegamente procura: a Antropofagia.” – Oswald de Andrade, em maio de 1928

Para tentar responder à complexidade dessa questão, com toda a sutileza e simplicidade implícitas, faço uma pequena retrospectiva. Trabalho com construção de símbolos, sua relativa linguagem e inserção nos diferentes microambientes culturais, há três décadas. Nesse período, procurei desenvolver acuidade e educação visual, avesso à representação lógico/linear que herdamos de nossa colonização européia, sempre uma consequência do repertório e da bagagem acumulada de cada um de nós.

Temos à nossa disposição uma multiplicidade de conceitos e interpretações e procuramos ser coerentes na diversidade.

Figura01Não temos cultura herdada, temos cultura criada. Antropofagia e sincretismo é o que nos une.

Somos singulares dentro do plural.

Somos múltiplos na monotonia.

Somos cordiais,  mas não complacentes.

Somos um acidente geográfico.

 

Nasci na região do pampa gaúcho, reto, linear, com horizonte infinito.

Até a minha adolescência, pensava que o mundo fosse plano – meridiano e medieval.

Fui estudar na capital e me surpreendi com as ladeiras da cidade grande.

Participei de uma banda de Rock, de passeatas estudantis e estudei Ciências Sociais.

Com especialização em Antropologia, fui trabalhar em aldeias indígenas no Amazonas, índios Tukano, e depois no Maranhão, índios Gavião.

Retornei para o sul, estudei Arquitetura, desenhei livros e revistas e comecei a desenvolver projetos de identidade visual. Então me tornei designer.

 

Fui cristão, budista e pagão.

Fui muçulmano, hebreu e filisteu.

Fui árabe e espanhol.

Português, italiano, índio e alemão.

Cafuso, mulato e mameluco.

E agora sou brasileiro.

 

Apesar da nossa dimensão continental, da mistura de raças, de pessoas vivendo numa sociedade pari passu às mais desenvolvidas tecnologicamente e, ao mesmo tempo, de populações em estado primitivo, nos fazem acreditar que habitamos o contraste. Também somos abertos e incorporamos as mais diversas manifestações culturais, sem que isso represente uma ameaça. Pelo contrário, este fator é uma de nossas fortalezas. Temos unidade, somos uma república federativa com um poder central e com uma única língua, elementos fundamentais que nos estruturam. Temos uma cultura imaterial extremamente rica e diversa.Para nós, “a vida é centrada no relacionamento social, no vínculo, na ligação entre as pessoas ou entre estas e o meio ambiente” (Publicado na pesquisa desenvolvida pelo Sebrae – Cara Brasileira, a brasilidade nos negócios, 2002).

Tudo aquilo que conduz ao encontro e ao relacionamento nos leva, por extensão, à brasilidade.

Figura02Compartilhamos a exuberância da cor, a jinga, um espírito natural e um senso estético único.

Fomos sábios, marinheiros, guerreiros e dragões.

Fomos vagabundos, enforcados e ladrões.

Aprendemos a ser ferreiros, marceneiros, sapateiros e artesões.

Hoje somos desejo e emoção.

 

Aloísio Magalhães, um dos maiores designers e gestores da educação semântica, escreveu certa vez que a cultura é como um aluvião. O aluvião é a camada de sedimentos férteis acumulada ao longo do leito dos rios, através de sucessivas cheias e vazantes, e que fazem com que a terra seja ricamente produtiva, ao longo dos quais as grandes civilizações se desenvolveram e floresceram.

 

Assim é o Brasil – assim deve ser a Marca Brasil.

Um aluvião de misturas, de camadas sobrepostas, que vão dando forma e conformidade às sucessivas cheias para construir a riqueza do repertório.

Aliás, nosso maior patrimônio é a nossa cultura imaterial, oral e visual, que devemos e precisamos documentar. seja simbólica, seja metafórica, seja real, seja virtual.

 

Somos efêmeros e voláteis.

Somos autoconfiantes, mas precisamos de autoestima.

Desprezamos a técnica.

Somos Macunaíma.

 

Vivemos com agilidade e conseguimos nos transformar rapidamente. Ao mesmo tempo temos um leve desprezo pela base da nossa formação. Fazemos com que o público se torne privado e transformamos o privado em público. Temos língua, linguagem, tipo e identidade.

Figura03Diversidade de identidades e tipos gráficos, utilizados como referência para um projeto de marca brasileira.

Esta diversidade e a fragmentação cultural fizeram com que eu construisse uma trajetória no campo do design como um aluvião. As diversas camadas e os diversos segmentos para os quais trabalhei – energia, telefonia móvel, siderurgia, varejo, esporte, serviços e outros, sedimentaram em mim um conceito claro e um princípio organizador da nossa questão preliminar e foco dessa análise.

Identificamos territórios, mapeamos símbolos e índices, definimos cores com paletas primárias e secundárias, linguagem, tipografias e grafismos de apoio. Tudo para construir marcas e definir territórios. Tudo para relacionar com nossos ambientes. Tudo para sincretizar.

Figura04

Claro Digital, direção de criação, implantação e gestão de marca. (1997 a 2000). Claro, direção de criação, implantação e gestão de marca. (2003 a 2007). Oi, implantação e gestão de marca. (2001 a 2002)

 

Uma diversidade fragmentada.

Extrato de uma percepção contraditória.

Representamos um espírito rejuvenescedor.

Somos atores de uma Marca chamada BRASIL.

8 comments on “DAY 66. Valpirio Gianni Monteiro

  1. ronald shakespear
    June 18, 2013

    Congratulations Valpirio!
    Abrazo desde Buenos Aires,
    ronald shakespear

  2. Bina
    June 19, 2013

    Muito bom, adorei

  3. Rodrigo Conde
    June 19, 2013

    Maravilha! Sempre maravilha!

  4. Vitória Bina
    June 19, 2013

    Excellent! Very intelligent and inspiring text.

  5. Muito Bom, Parabéns Valpirio!!

  6. Isabel de Castro
    June 21, 2013

    Uau! Um texto incrivelmente preciso em toda a sua complexidade. É verdade que o todo é maior que a soma das partes. Esta ideia se mostra em todo o teu trabalho.
    Parabéns, Valpírio!

  7. Pingback: XXVII Festival Internacional de Teatro Hispano. Centro Cultural Español | The Cuban Art Project

  8. Anna Adami
    September 17, 2013

    Excelente!!

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This entry was posted on June 18, 2013 by in Brazilians and tagged , , , , , , , .

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